sábado, 17 de abril de 2010

A vida profissional - o entediado

Segundo Paulo Gaudêncio, tédio é ausência do medo. Para ele, o medo é o sal da vida. Gaudêncio acrescenta que o medo salva nossa vida, ajuda a educar filho, nos educa. De acordo com sua análise, nós só nos sentimos felizes quando estamos estimulados por um desafio. O estresse é uma reação normal. Na vida emocional podemos dizer que o outro tem que ser um constante desafio. A paixão, para Gaudêncio, é garantida pela impossibilidade. Também, segundo ele, é um tipo de patologia da atenção. Na paixão todas as emoções são sentidas com a maior intensidade. Gaudêncio conclui que se a pessoa tiver grande dificuldade, com baixa dificuldade ela terá estresse patológico. O que se deve fazer? Ele responde : "Aumentar a habilidade e aprender a transformar o que é estresse patológico na faixa do fluir. Se tiver uma grande habilidade com baixa dificuldade, terá o desinteresse, o tédio, por conseguinte, sem medo. Nesse caso ele aconselha aumentar a dificuldade pra cair na faixa do desafio.

Montaigne e a Auto-Estima

Seu nome é Michel de Montaigne, nascido em 1533. Ele pertencia à nobreza, foi advogado, amigo dor rei da França e duas vezes prefeito de Bordeaux.
Montaigne é um filósofo cativante por uma razão principal: ele compreendia o que faz você se sentir mal consigo mesmo, e escreveu um livro que tenta levantar seu moral.
O livro aborda três tipos principais de inadequação:
1° a inadequação física, seu sentimento de desconforto com relação ao próprio corpo.
2° a inadequação experimentada quando somos julgados, ao termos nossos hábitos e costumes desaprovados.
3° a inadequação intelectual, o sentimento de que somos um pouco sagazes.
Para os três Montaigne propõe soluções praticas e muito úteis.
Montaigne aos 38 anos, decidiu se recolher ao castelo e passar o resto da vida recluso, lendo, refletindo e escrevendo. No começo, ele não sabia o que escrever. Aos poucos, foi delineando a idéia revolucionária de escrever sobre um assunto que tinha tudo para conhecer a fundo: ele mesmo.
O que Montaigne quis com esse seu livro foi recriar nossa concepção do que é o ser humano. Ele quis trazer esses aspectos á luz. É por isso que a maior parte de sua obra trata de assuntos que outros filósofos deixavam de fora, como, por exemplo, o pênis."Cada um de meus membros, na mesma medida, me fez ser quem eu sou, e nenhum define mais minha masculinidade do que esse. Devo ao leitor um retrato completo de mim mesmo."
Montaigne dizia que estamos cercados de modelos equivocados, sem espaço para abarcar a natureza da maioria de nós, e que isso faz o indíviduo odiar a si mesmo, sempre que não se encaixa neles.
Montaigne escreve no seu livro que: " a pior desgraça para nós é desdenhar aquilo que somos."
Montaigne foi um filósofo muito honesto, sobretudo num aspecto: a maior parte dos filósofos até intão afirma que a mente pensante podia levar à felicidade, que a realidade nos dava a chance de realização. Montaigne inverteu essa equação e construiu uma filosofia a partir da constatação de que temos tantos problemas justamente porque somos racionais, porque pensamos.